Inovar, inovar e inovar. Todas as expectativas de quem investe em empreendedorismo corporativo hoje estão voltadas a criar novas soluções que melhorem a vida das pessoas a curto, médio ou longo prazo. E o Brasil está no rumo certo para se tornar um dos maiores centros disseminadores (ou, no jargão corporativo, hub) de inovação do mundo. Pelo menos essa é a visão de Daniel Karp, diretor de Desenvolvimento Corporativo para Israel e América Latina da Cisco Investment.

Karp foi um dos principais participantes da quarta edição do Corporate Venture in Brasil, realizada em outubro, em São Paulo. No evento, ele foi protagonista de um painel e de comissões julgadoras dos pitches (mais um jargão corporativo, que significa apresentações rápidas de modelos de negócios de startups ou empresas em busca de aporte de capital junto a potenciais investidores). A iniciativa organizada pela Apex-Brasil reuniu startups, empreendedores e executivos de empresas que têm a inovação em seu DNA para troca de experiências nos segmentos de construção civil, saúde, energia e agronegócios.

Em conversa com o Blog da Apex-Brasil, o executivo da Cisco falou bastante sobre o ambiente de inovação no país. “É um movimento que não tem como parar. Você tem que continuar esse processo, porque o mundo tem cada vez mais desses disseminadores de inovação. E você tem que crescer mais do que os outros”, disse Karp.

Confira a entrevista completa:

Como é hoje a presença da Cisco Investment no Brasil?

Nós estamos investindo no Brasil desde 2012.  Hoje investimos em dois fundos de brasileiros e mais um na Argentina. Esses investimentos medem tendências que estão acontecendo no ecossistema de inovação aqui do Brasil. Para nós, tem sido uma experiência muito positiva, pois gera engajamento positivo entre esses fundos e os empreendedores.

Nos últimos anos, começamos a ver empreendedores que vêm do Yellow e do 99, por exemplo. O fenômeno que estamos vendo é que o Brasil não está mais apenas procurando modelos de negócios de outros lugares para aplicar aqui. Não, o que temos visto aqui é inovação local, com criação de modelos próprios de negócios. As companhias estão se enxergando como competidores do mais alto nível, que podem se valorizar em outros lugares.

Vocês têm foco específico em algum setor de inovação para investir?

Estamos focados primeiramente em empresas e negócios B2B, tecnologia da informação, internet das coisas. Esses são nossos maiores segmentos, que também têm vários desdobramentos. Cybersegurança é a grande área de atuação da Cisco. Centrais de dados (data center) e gerenciamento de data center são um grande desafio também, porque somos uma empresa de grandes servidores. Temos um monte de questões que precisamos gerenciar: hibrid cloud, multi cloud, softwares, softwares de serviço e de colaboração, aplicativos de web, web exchanges. Todas essas coisas. E a análise de Big Data, claro, também vemos como uma poderosa oportunidade.

Como você vê o ambiente de inovação e o momento para investir no Brasil?

Para quem está chegando no Brasil pela primeira vez, pode haver um ou outro motivo de preocupação. Com frequência, houve um ou outro momento de turbulência em outros tempos e uma situação geopolítica que acabou crescendo nos últimos anos. Mas não acho que isso esteja evitando que mais pessoas venham conhecer o ecossistema. Se você é sério o suficiente sobre um projeto de inovação, se é sério o suficiente sobre o potencial desse ecossistema de inovação, você vai passar por cima de todos esses percalços.

Daniel Karp (à esquerda) participou da última edição do Corporate Venture in BrasilVocê então vê um bom potencial de inovação por aqui?

Se você olha para o ecossistema como um todo, tem mais inovação ainda nos setores para os quais nós estamos olhando. Softwares corporativos estão cada vez mais relevantes aqui, internet das coisas, manufaturas. Tudo isso é tendência aqui. São coisas com as quais temos nos preocupado e vejo uma convergência do ecossistema vigente com os nossos interesses.

Como você vê a importância da Apex-Brasil no fomento ao empreendedorismo corporativo?

Existem múltiplos pilares nesse ecossistema. E ter alguém que conecta o mundo com o ecossistema local é uma grande vantagem. Eu acho de verdade que o ecossistema aqui está ficando mais maduro, mais holístico, e o que a Apex-Brasil está fazendo é muito importante: estimulando corporações para que elas voltem os olhos para o Brasil. Isso é importante. Existem múltiplos disseminadores de inovações no mundo.

O Brasil pode se tornar um disseminador de inovação no mundo?

Israel foi um dos primeiros disseminadores de inovação do mundo. Mas hoje a quantidade de dólares investidos na França e na Europa como um todo por ano é hoje três vezes maior do que em Israel. Então, inovação não é algo que ocorre para sempre. Ocorre em todos os lugares. O Brasil entrou nesse mercado ou entrou nesse jogo de inovação recentemente. Então tem que superar todas as dificuldades geopolíticas, mas o ecossistema está amadurecendo muito bem. E uma coisa que é preciso ter em mente é que se trata de um movimento que não tem como parar. Você tem que continuar esse processo, porque o mundo tem cada vez mais disseminadores de inovação. Você tem que crescer mais do que os outros. E ter o apoio da Apex-Brasil ajuda muito porque une um monte de gente que tem muito interesse em inovação no ecossistema local.

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