Marcel Fukayama iniciou no empreendedorismo aos 17 anos, ao criar uma das primeiras lan houses de São Paulo. Ao longo de sua carreira, dedicou-se ao desenvolvimento de tecnologias que trouxessem desenvolvimento e melhorias sociais às comunidades. Hoje, Fukayama é empreendedor Cívico da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (RAPS) e reconhecido como um dos 30 jovens de até 30 anos que estão transformando o país pela Forbes Brasil, um dos 10 CEOs mais inspiradores pela GQ Magazine e está entre os jovens líderes empreendedores globais pela Skoll Foundation e MasterCard Foundation, por sua atuação como empreendedor social. 

Fukayama esteve na ApexBrasil na última sexta-feira (10/11/2017), nas comemorações dos 20 anos da agência e conversou com o Blog da Apex-Brasil. Ele falou não só de sustentabilidade, mas também sobre os outros pilares da campanha Be Brasil: criatividade, inovação e diversidade. “O grande desafio da atualidade é aprender a aprender”, diz Fukayama, para quem aprender coisas novas todos os dias e estar disposto a adquirir conhecimento é uma das receitas para o mundo do século 21. “Num planeta onde oito pessoas concentram metade da renda global, a nova economia vai eleger líderes que pensem em impacto social e ambiental positivo”.  

Confira a entrevista completa: 

Como um empreendedor pode ter elementos de sustentabilidade em seu negócio?
A primeira mudança que um empresário pode começar a ter é medir um pouco do seu impacto. Hoje você é o que você mede. E a grande maioria não tem ideia, não tem a dimensão, do impacto social e ambiental e eventualmente até econômico que tem. Então o primeiro passo é, numa régua, saber em que lugar você está.  A partir disso, vai ser muito claro para esse empreendedor quais são os pontos de melhoria e de oportunidades de melhoria. Desde o que faz com resíduo gerado no escritório ou na indústria, na planta, na forma de contratação de energia, na geração de energia, até na contratação de fornecedores, no relacionamento com os colaboradores que pode ser muito mais justo. A gente sabe que as empresas são um importante vetor de geração de riqueza, mas também podem ser um grande vetor de distribuição de riqueza. A gente provoca esse empresário em cinco dimensões: governança, modelo de negócio, impacto ambiental, relações com colaboradores e relações com a comunidade, para que esse empresário reflita um pouco e crie uma nova consciência sobre seu impacto.

Como medir isso?
O Sistema B é um movimento global que visa uma mudança de cultura empresarial onde diminuição das desigualdades sociais e impactos negativos ao meio ambiente são critérios de sucesso. Nesse Sistema, desenvolvemos dois questionários. O mais rápido são 40 perguntas simples e já vai dar um norte para o empresário. Existe também uma versão mais completa. Essas duas opções são formas de dar esse primeiro passo.

O Brasil está preparado para esse ajuste empresarial? Será preciso uma mudança cultural muito grande?
O Brasil já está vocacionado a fazer isso e a própria prova é que a lei empresarial brasileira, criada há 41 anos, a lei das S.A.s, já fala disso. Combinada com a Constituição Federal, elas já tratam da função social da empresa, que é gerar valor para a comunidade e para o colaborador. Só que essa função social há 40 anos era uma coisa e hoje a gente sabe que simplesmente geração de emprego e renda ainda não são o suficiente para a empresa cumprir o seu papel no século 21. Então, acho que o Brasil já está vocacionado a isso, e diante de toda essa crise institucional que o país vive, a gente tem uma oportunidade de fortalecer principalmente a governança dessas empresas. Assim elas podem tomar decisões melhores e considerarem os stakeholders da decisão: consumidor, colaborador, fornecedor, investidor, entre outros. Com isso, será uma empresa melhor. Estamos dando ferramentas para que as empresas possam acelerar essa mudança de cultura.

O Sistema B atua numa mudança de legislação no Brasil para que esses valores de devolução positiva de impacto sejam estruturais?
O Sistema B articula um grupo chamado Grupo Jurídico B, formado por advogados e não advogados que trabalham a criação de meios legais. Já temos um anteprojeto de lei que institucionaliza essa qualificação para tipo societário, então poderemos ter uma qualificação de Sociedade Benefício. E nisso você incorpora três elementos de empresa B em qualquer empresa: o propósito, a responsabilidade e a transparência. A gente está trabalhando através da estratégia nacional de investimentos e negócios de impacto, que está sendo liderada pelo MDIC e pela força tarefa de finanças sociais, também para essas mudanças.

Como a Apex-Brasil pode fazer esse papel de levar o Sistema B?
A Apex-Brasil, que trabalha com mais de doze mil empresas, tem uma oportunidade de ajudar esse público a medir e reportar seu impacto. Eventualmente, essas empresas poderão um dia ser Empresa B para saber e mudar seus impactos.  O convite é que a Apex-Brasil, por meio dessas empresas, possa estimular e encorajar, com as ferramentas do Sistema B, os empresários para que estes realizem um primeiro passo de mensuração do impacto e depois façam o relatório dando transparência a esse impacto e múltiplas dimensões.

Empreendedorismo social às vezes parece distante do empresário. Como começar uma mudança nessa mentalidade?
A primeira forma de mudança dessa empresa, independentemente da medição de seu impacto, é a relação com o colaborador. Ser uma relação justa, honesta, igual mas diversa. Como agentes econômicos fundamentais na formação de riqueza, também podem distribuir riqueza pagando melhor os seus colaboradores, criando condições de trabalho dignas, de qualidade e de formação. A empresa hoje é um ambiente em que as pessoas passam a maior parte do tempo de suas vidas. Tem que ser um ambiente de desenvolvimento humano. Criar um ambiente de trabalho favorável para esse colaborador, independente de impacto mensurado ou não, é a forma mais coerente da empresa hoje ser um ambiente melhor de trabalho no século 21.
 

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Para realizar o teste do Sistema B acesse: http://bimpactassessment.net/pt-pt