A mobilidade urbana é uma questão incrustada na vida de praticamente todo cidadão brasileiro. De um jeito ou de outro, todo mundo tem a sua rotina diária afetada por questões relacionadas ao transporte público. Enxergando nesse ambiente uma série de oportunidades e com base em um amplo conhecimento adquirido após anos de estudos, quatro empresários com formação em ciência da computação, design ou urbanismo fundaram em São Paulo no ano de 2014 a Scipopulis. 

A empresa desenvolve um aplicativo que permite ao usuário de transporte público saber com uma margem muito pequena de erro onde e qual ônibus é o mais adequado para o seu trajeto. O Blog da Apex-Brasil conversou com Roberto Speicys, um dos sócios, para saber um pouco mais sobre os projetos da empresa no campo da mobilidade urbana. A Scipopulis já atua em parceria com algumas prefeituras e está buscando novos clientes também no exterior. “Achamos que na América Latina temos como fazer alguma coisa rápida em outras cidades grandes”, conta. 

Para acelerar seus negócios, a empresa participou do Corporate Venture in Brasil 2017, realizado no começo de outubro em São Paulo. O evento reuniu investidores, startups, empresários e profissionais brasileiros e estrangeiros que atuam com inovação e empreendedorismo corporativo. Projetos que contêm inovação no DNA e ilustram bem um Brasil competitivo, estratégico e criativo no mundo dos negócios – o mote principal da campanha Be Brasil. 

Confira a íntegra da conversa com Roberto Speicys: 

Como surgiu a Scipopulis? 

Temos uma história legal. Depois que terminei um doutorado na França, abri uma empresa lá e comecei a trabalhar com aplicações para transporte público em Paris. Isso era início de 2013. Em maio de 2013, explodiram os protestos de rua aqui no Brasil, tendo como pano de fundo demandas por melhoria do transporte público. Achei, então, que passou a não ter mais sentido eu trabalhar lá na França em Paris com tecnologia de transporte público, sendo que tinha muito mais coisa para fazer aqui no Brasil. 

Dessa necessidade surgiu a empresa? 
Acabei ligando para um pessoal que eu conhecia, que tinha feito faculdade comigo, para saber o que existia aqui e descobri que um grande amigo meu, que tinha feito doutorado lá na França também, tinha voltado para o Brasil uns anos antes e estava trabalhando com gestão de frotas de transporte público. Então, quando eu comentei com ele que estava pensando em abrir uma empresa nessa área, ele falou “vamos abrir juntos”.  E aí tinha outro amigo meu de infância, que é professor de design com doutorado em urbanismo, que já tinha trabalhado comigo em uns projetos de aplicativo lá na França e falou “eu também quero fazer alguma coisa nessa área, porque tem muito para fazer”. E aí nós três fundamos a empresa, como o nome de Scipopulis. Depois, trouxemos mais um outro colega nosso, que também era da área de ciência da computação e agora nós somos quatro os sócios-fundadores. 

Quando foi isso?
Em abril de 2014, em São Paulo. 

Como você define o negócio principal da sua empresa? 
O que a gente faz é análise de dados de transportes. Começamos fazendo um aplicativo para o usuário de transporte público que precisava saber a hora que o ônibus deveria passar no ponto e a hora em que chegaria ao destino. E aí, após conversas em um evento de inovação, conhecemos a equipe responsável pela gestão de ônibus e sistemas de trânsito na prefeitura de São Paulo e descobrimos um monte de problemas que achávamos que estavam resolvidos mas que, na verdade, não estavam. Foi então que paramos um pouco de desenvolver aplicativos e começamos a produzir ferramentas para o gestor, que é onde a gente consegue ganhar dinheiro. O aplicativo acaba virando uma ferramenta de aquisição de dados: temos mais de 20 mil usuários do aplicativo. Não ganhamos em cima disso, mas nos ajuda a obter dados que enriquecem a nossa plataforma de análise de dados que fornecemos para o gestor. 

O aplicativo diz a hora que o ônibus vai chegar?
É, a gente fez o aplicativo com foco frequente no usuário de transporte público. É voltado para um cara que já sabe o ônibus que ele vai pegar, já sabe onde é o ponto e usa o transporte público todo dia para ir para o trabalho, para ir para a faculdade e para ir ao banco, etc. Nosso aplicativo geolocaliza o usuário, o ponto de ônibus mais próximo e mostra o horário de passagem dos próximos ônibus. E aí, quando você detalha a informação, ele mostra também, além daquele ônibus que vai chegar, quando os outros vão chegar. Então, você sabe com precisão a hora que chegará ao seu destino. A gente mesmo vai para reunião de negócios tomando o ônibus e chegamos na hora porque olhamos lá no nosso aplicativo e sabemos que a margem de erro é de no máximo dois minutos. É bem confiável. 

E quais são seus principais clientes? 
A prefeitura de São Paulo é nosso principal cliente. A gente está testando as soluções também em várias cidades do Brasil, como Campinas, Sorocaba, Rio de Janeiro e Campo Grande. Também estamos fazendo testes em Santiago (Chile) e na negociação do ciclo de venda para governo. Então, estamos tentando achar formas de essas cidades contratarem a gente. 

O que vocês esperaram com a participação no Corporate Venture in Brasil 2017? 
Temos interesse em contatar outras áreas da mobilidade que estejam interessadas em análise de dados de mobilidade, porque achamos também que existe sinergia com outras empresas da área de logística e transporte para fazer o que a gente faz para o ônibus. Então, a partir dos dados do ônibus, entendemos o movimento das coisas, conseguimos prever um pouco o deslocamento. Queremos fazer isso também em outras áreas, mas é para um mercado de negócios, que garanta a sustentabilidade da empresa por vários anos. Assim, não ficaremos dependendo apenas de clientes no governo, que tem os ciclos de vendas interrompidos a cada três anos por conta de eleições. 

Vocês estão pensando em mercados fora? Já falou em Chile...
Estamos olhando agora para a Argentina também. Um dos meus sócios esteve lá, num dos eventos da União Internacional de Transporte Público para conhecer o mercado. Achamos que na América Latina temos como fazer alguma coisa rápida em outras cidades grandes. A Colômbia também é muito interessante, mas ainda não tivemos chance de chegar lá. Mas por tamanho e pelos problemas de mobilidade que existem por lá, é um país em que teria mercado para a nossa ferramenta.
 
Vocês estão buscando investimentos e vendas? 
Por enquanto, não temos investidor. Já atingimos nosso ponto de equilíbrio faz tempo. Rodamos com o dinheiro que conseguimos de nossos clientes. Mas temos que expandir. Gostaria de ter um investimento para ter uma equipe comercial que consiga vender fazer mais, porque hoje essa é uma área ainda um pouco dispersa na empresa. É uma das várias coisas que fazemos, mas queremos ter gente dedicada a comercializar e a contatar cidades, fazer mais demonstrações. Então, a gente procura investimentos mais para isso: poder escalar e fazer isso mais rápido. 

Como você chegou à Apex-Brasil? 
A Apex-Brasil chegou na gente porque vencemos recentemente o Demo Day do MobiLab, que é o laboratório de solução de mobilidade aqui de São Paulo. Foi feito um evento com as empresas de mobilidade e na ocasião a gente apresentou e ganhou. Isso teve uma divulgação e chegou na Apex-Brasil, que acabou nos contatando para participar do Corporate Venture in Brasil. 

Você já conhecia a Apex-Brasil? 
Eu já conhecia a Apex-Brasil, mas a gente nunca tinha tentado contatar a Agência. Mas agora estamos estudando um pouco o que existe por aí. É um passo seguinte que a gente pretende dar.

Conheça mais sobre a Scipopulis: https://www.scipopulis.com/ 
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