Nos dias 3 e 4 de outubro, a Apex-Brasil realizou em São Paulo a terceira edição do Corporate Venture in Brasil. Trata-se de um encontro anual que reúne empresários, investidores, potenciais investidores, startups e profissionais brasileiros e estrangeiros que atuam com inovação e empreendedorismo corporativo. Entre as várias ações que aconteceram durante o evento,  startups brasileiras divulgaram seus projetos de negócios para executivos com ampla experiência internacional de mercado e atração de investimentos prestarem consultoria e orientação sobre a apresentação. 

Uma das empresas que participou dessa iniciativa foi a Intelipost, startup de São Paulo criada em 2014 com foco em soluções de comércio eletrônico (e-commerce) e logística. A plataforma de negócios desenvolvida pela Intelipost já rendeu grandes clientes, como Livraria Cultura e Magazine Luiza. 

A empresa agora está em busca de investidores estrangeiros para expandir suas operações e conquistar  outros mercados. A ideia é seguir inovando no modelo de negócios e contribuindo para a promoção da imagem de um Brasil parceiro, sustentável, criativo, estratégico e confiável no mundo dos negócios – exatamente o mote da campanha Be Brasil. 

O diretor e co-fundador da empresa, Gabriel Drummond, conversou com o Blog da Apex-Brasil durante o Corporate Venture e contou um pouco mais sobre os negócios da Intelipost e as perspectivas de aportes de investimentos estrangeiros. 

Confira a entrevista! 


Conta para a gente como começou a sua empresa. 
A Intelipost nasceu em 2014, em São Paulo. O fundador original é um alemão chamado Stephan. Eu sou co-fundador, entrei três meses depois que a empresa estava criada. O Stephan estava no Brasil por meio de um fundo de venture capital que tinha alguns clientes de comércio eletrônico (e-commerce) no Brasil e sua função era colocá-los para operar. Ele sentiu a necessidade ter uma solução de logística, como não viu nenhuma no mercado, foi atrás de resolver o problema e assim teve a ideia de criar a empresa. Depois do investimento inicial feito pelo  fundo, eu entrei para criar a parte comercial, e a gente nasceu então focado em e-commerce. 

E como foram esses primeiros três anos e meio de Intelipost? 
A gente continua bastante focado em e-commerce, mas já temos operações relevantes também junto a distribuidores, atacadistas e outros. Hoje, em e-commerce, temos a solução líder de mercado. E agora começamos a ser relevantes fora do e-commerce também. Nesse meio tempo, trouxemos um segundo investidor – um fundo nacional, a Performa Investimentos, que tem um fundo que captou dinheiro junto ao BNDES. 

Qual seria o principal produto da sua empresa? 
Nós temos um software, uma plataforma para gestão de fretes e de logística. 

Como funciona isso?
Os grandes embarcadores são as empresas que mais contratam transportadores para fazer o frete fracionado – que é o tipo de frete com o qual a gente trabalha. Funciona assim: em vez de você contratar um caminhão por um dia, você paga para levar 2Kg de A para B. É como funciona o mercado de e-commerce para qualquer transportador de móveis, eletrodomésticos, etc. Esse embarcador trabalha com 10, 20 transportadoras. É muito diferente do que ocorre fora do Brasil, quando trabalhar com duas transportadoras já resolve o problema. Só que gerir 20 contratos é muito difícil. Eles então contratam a Intelipost para fazer a gestão e a otimização desses contratos para, por exemplo, se alguém estiver fazendo 3 mil envios por dia, poder tomar uma decisão em tempo real sobre se esse envio vai para a transportadora A, B ou C. 

E depois dessa definição, o que ocorre? 
A transportadora que tem que garantir que tem embarcador suficiente para atender a demanda, que está pegando o frete mais barato ou o mais rápido para aquela encomenda. E tem que tomar a decisão muito rapidamente, senão perde a venda.  Essa é a dinâmica de e-commerce. O mais importante é isso. 

É bastante complexa essa operação no Brasil, pelo que você está explicando... 
No Brasil, com todos os problemas e dificuldades, é um mercado meio confuso, porque tem mais ou menos 70 mil transportadoras registradas na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Cada uma delas estabelece seu preço de um jeito diferente. Então, imagina uma loja que vende múltiplas coisas e uma transportadora cobra por peso, outra por valor de mercadoria, outra pela dimensão dela, outro por valor fixo da entrega. E esses caras têm que tomar esse tipo de decisão 3 mil vezes por dia. Um grande embarcador por exemplo, faz 500 mil entregas por mês. Às vezes, 20 ou 30 mil por dia. Então, eles precisam de uma solução como a nossa para conseguir fazer isso sem perder controle sobre o que está acontecendo. 

É aí que entra o diferencial da solução da Intelipost? 
Em um dado momento, uma empresa dessas vai ter 200 pessoas numa central de atendimento atendendo ligações de clientes querendo saber “onde está meu pedido”. E a gente garante o acesso a essa informação, manda para o cliente e evita- esse tipo de transtorno. É um mercado em que, quanto mais entramos, mais claro fica que o normal de um atendimento sem a nossa presença é o funcionário ter um navegador de internet com 10 janelas abertas e ficar procurando “isso aqui é da transportadora X”, “aquilo é da transportadora Y”. E aí procura a aba desta transportadora para ver o que aconteceu, o que pode acarretar em erros. A gente evita esse problema, automatiza o processo e o funcionário não precisa mais fazer isso. 

Quais são seus principais clientes hoje? 
Temos mais de 400 clientes,  alguns muito grandes, como Magazine Luisa, Lojas Renner, Boticário, B2W, Marabraz, Livraria Cultura, Riachuelo. 

O que vocês buscam participando de eventos com o Corporate Venture in Brasil? 
Estamos num momento de buscar investimentos de fora do Brasil. A gente quer começar a criar uma rede de contatos mais forte no exterior. Primeiro, por causa do tipo de negócios que fazemos, que é uma tecnologia muito pesada e ainda não é muito comum no Brasil. Queremos trazer o que há de melhor para cá. Em segundo lugar, porque a gente quer se internacionalizar também, para termos melhores condições de competir na hora que formos colocar o corpo para fora do país. 

O evento foi proveitoso? 
Acho que sim, a gente falou com dois investidores em potencial, de porte muito legal, que têm muito a ver com o que queremos fazer. Também foi muito bom pelo contato com outras startups que estão em mercados parecidos e acredito que conseguiremos até fazer negócios juntas. Mas foi proveitoso principalmente por causa dos investidores, pois nossa participação aqui pode render bons frutos. 

Como a Apex-Brasil pode ajudar sua empresa nesse processo? 
A gente conhecia a Apex-Brasil, mas não sabíamos desse braço que facilita o empreendedorismo corporativo (Corporate Venture). Por causa de conexões, de investidores nossos e outras pessoas e empresas que conhecemos, soubemos desse trabalho que estava sendo feito, nos inscrevemos no evento e fomos confirmados para participar do Corporate Venture in Brasil 2017. As conexões oferecidas pela Apex-Brasil são boas eu sei que tem muitas portas que podem ser abertas. 

Saiba mais sobre a Intelipost em www.intelipost.com.br

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