Tudo começou na cozinha da fazenda da família de Maria Dalva Couto Mendonça, a Dona Dalva, em João Pinheiro, Minas Gerais, ainda nos anos 1960. Sua receita de pão de queijo sempre fez sucesso e ela – ao lado dos filhos Hélida e Hélder, e do sócio Vicente Camilloti – acabou criando, em 1990, já na capital, Belo Horizonte, a Forno de Minas Alimentos S/A.

E a fábrica, que no início produzia 40 kg de pão de queijo por dia, virou, hoje, uma mania de dimensões continentais, com produção de duas mil toneladas da típica iguaria mineira por mês, comidinha gostosa que chega a 15 países e que leva a empresa a dominar o mercado brasileiro, com mais de 50% das vendas. Mas Dona Dalva e sua turma ainda não estão saciados. Eles pretendem ampliar ainda mais esse mercado. Nesse sentido, participaram, com apoio da Apex-Brasil, da Sial China, uma das principais feiras de alimentos do mundo, realizada no mês passado, em Xangai.

“Foi nossa primeira vez na Sial China. No ano passado, fechamos nossa primeira exportação para um distribuidor chinês, que ocorreu em dezembro, mas nunca havíamos vindo aqui para fazer prospecção. Participando da feira fica mais fácil para a gente buscar novas alternativas de negócios”, explicou Gabriela Cioba, diretora de Marketing da Forno de Minas, para o Blog da Apex-Brasil.

Segundo ela, a empresa levou para a China um produto desenvolvido para o mercado local, com menos sal. “Levamos somente pão de queijo por ele ser o produto brasileiro mais tradicional que temos. Somos conhecidos por ele e, por isso, apresentamos pão de queijo pré-assado, para facilitar a degustação na feira, que teve um público muito grande”, afirma.

A diretora de Marketing da Forno de Minas também contou que o apoio da Apex-Brasil tem sido fundamental nos eventos. “A Apex-Brasil está nos ajudando no entendimento do momento atual da empresa rumo à sua expansão internacional. E por meio das participações em missões e feiras, além dos trabalhos personalizados que faz para a gente. A Agência tem acompanhado nosso trabalho e sido muito parceira da Forno de Minas nesse crescimento e desenvolvimento”, diz. Confira a entrevista:

 

Qual a análise que você faz em relação à participação da Forno de Minas na Sial China 2018?

Como todo mundo sabe, a China é um mercado à parte. A gente tem que entender exatamente que fatiazinha pequena desse mercado a gente quer para construir uma marca e desenvolver o conhecimento de um produto. O pão de queijo é um produto ainda desconhecido e é melhor a gente fazer um trabalho mais efetivo do que ficar dando tiros para todos os lados. Minha vinda para a Sial China foi no intuito de conhecer o mercado e as oportunidades. Na Sial, a gente busca entender a receptividade do produto e ver se é necessário desenvolver um produto com menos sal para atender ao mercado chinês, por exemplo. Além de comprovar se o produto está adequado e, por fim, entender o tamanho da oportunidade que a gente tem em um evento como esse.

O que a Forno de Minas apresentou em uma das principais feiras de alimentos e bebidas do mundo?

O produto que a gente apresentou no evento é um produto que a gente desenvolveu especialmente para a China, para o nosso cliente, com menos sal. Levamos somente pão de queijo por ser o produto mais tradicional brasileiro que temos. Somos conhecidos por ele e levamos um produto pré-assado. Pela grande quantidade de pessoas que circulam pela feira e, também, porque a gente entende que o chinês geralmente não tem forno em casa. Então temos que trabalhar muito no desenvolvimento e no conhecimento do produto em cafeterias, restaurantes e hotéis. Levamos um pão de queijo pré-assado e que só necessita de 5 minutos no forno para dar vazão à degustação. É um produto mais adaptado para o paladar chinês. Fizemos degustações com pão de queijo com Nutella, geleia e em formato de sanduíche.

Qual a importância de ter recebido em Portugal o prêmio “Melhor do Ano 2017”?

Qualquer prêmio é um reconhecimento. E imagine o contentamento ao ver a gente vencendo na categoria melhor do ano, num país europeu, num mercado que é muito importante – nosso segundo mercado internacional atrás apenas dos Estados Unidos. O prêmio nos dá visibilidade, reconhecimento e consolida a marca em Portugal. Com certeza, facilita as oportunidades que a gente pode abrir e, também, o relacionamento com o consumidor final. Ao ver um selo de melhor do ano para um produto que passou por chefs e avaliação profissional, conseguimos credibilidade e força em relação ao consumidor.

Como estão as atividades da Forno de Minas em Portugal?

Em Portugal, a gente tem um cliente para o qual vendemos direto do Brasil, que é uma rede do grupo de supermercados do grupo Jerônimo Martins, chamada Pingo Doce. A gente manda o produto congelado e eles assam na padaria e vendem por unidade ou porções para o consumidor final. Também temos um distribuidor que tem aberto oportunidades em outras frentes, em outras redes, para a gente também trabalhar no varejo, na parte de congelados. E há outras oportunidades de food service, como hotéis, padarias e confeitarias.

Quais os certificados que comprovam a qualidade dos produtos?

O certificado internacional mais importante que temos é o BRC, que é como se fosse um ISO. É um certificado de qualidade do produto, da empresa, de produção, das boas práticas de fabricação. O certificado é em inglês e é muito conceituado, aceito e difícil de conseguir. Temos o conceito A+ e fomos duas vezes certificados com a nota máxima, o que é muito importante para a Forno de Minas. Também temos o certificado norte-americano Gluten Free e o FDA, entre outros.

Qual a base de atuação da empresa?

A Forno de Minas atua no mercado nacional, onde consegue 94% de sua receita, e no mercado internacional, de onde vem 6% de sua receita. A gente trabalha nos canais de food service e de varejo. No Brasil, temos equipe própria de vendas. No exterior, temos representantes exclusivos e distribuidores que trabalham para desenvolver os produtos e a marca. Além disso, também fazemos venda direta para canais internacionais.

Quais os principais mercados internacionais da Forno de Minas?

Nosso principal mercado é os Estados Unidos, que recebe 60% de nossas exportações, seguido de Portugal.  Temos uma tendência crescente nesses dois países, mas, ao mesmo tempo, temos procurado desenvolver os mercados da América Latina, principalmente pela proximidade cultural e geográfica que temos com esses países. Alguns têm produto similar ao pão de queijo e isso facilita nossa entrada e o entendimento de que o produto vai ser bem aceito. Hoje, atuamos nos Estados Unidos, Canadá, Portugal, Inglaterra, Uruguai, Chile, Peru, Panamá, El Salvador, Guatemala, Costa Rica, Japão e estamos chegando na Colômbia, Paraguai, Argentina e México, além da China, onde a gente entrou recentemente.

Qual a história da empresa? Como ela surgiu?

A história da empresa é muito interessante. Trata-se de uma empresa familiar que surgiu em 1990. A dona Dalva, matriarca da família Mendonça, junto com dois filhos, Hélder e Hélika, além de sócio Vicente Camilloti, foram os criadores. A empresa teve um crescimento muito rápido nos primeiros 9 anos e foi comprada pela Pillsbury, uma multinacional, em 1999. Em 2009, a multinacional acabou fechando as portas e a família comprou a marca novamente, por conta do amor e apreço pela empresa, pelo produto e qualidade do produto. E, hoje, a família segue como principal acionista e na gestão da empresa.

Qual o faturamento da empresa e quantas pessoas a Forno de Minas emprega?

O faturamento gira em torno de R$ 350 milhões por ano e emprega mais de mil pessoas.

Quais os planos de expansão?

Os planos de expansão incluem trabalhar a América Latina e alguns países que estão como foco de desenvolvimento, como Colômbia, Argentina, Paraguai e México.

Qual a importância da parceria com a Apex-Brasil no processo de internacionalização da empresa?

A Apex-Brasil está nos ajudando no que diz respeito ao entendimento do momento atual da empresa rumo à sua expansão internacional, E, também, por meio das participações em missões e feiras, além dos trabalhos personalizados que a Agência faz para a gente. Essas feiras e rodadas de negócios contribuem muito para a expansão internacional da Forno de Minas.

Qual a importância da Agência no crescimento da empresa?

A Apex-Brasil tem acompanhado nosso trabalho e sido muito parceira da Forno de Minas nesse crescimento e desenvolvimento, tanto através das ações que promove, quanto em relação aos colaboradores da Agência que nos dão muito apoio e abertura. Sabemos que podemos contar com a Apex-Brasil.

 

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