País-continente cercado de água por todos os lados, a Austrália importou US$ 91 milhões em trajes de banho – biquínis, maiôs, calções, bermudas e cangas – em 2016. Desse valor, 83% foram importados da China, o grande parceiro australiano quando se trata de moda praia. O fluxo comercial com o Brasil é pequeno no setor. Do país da Garota de Ipanema, a terra dos cangurus importou meros 0,05% no período – US$ 47 mil –, quase nada perto de um mercado, o de moda praia, que movimentou US$ 621,1 milhões em 2016 e que prevê um crescimento anual de 0,7% entre 2017 e 2020.

Esses dados estão no Estudo de Mercado de Moda Praia – Austrália, liderado pela Apex-Brasil, com colaboração da Embaixada do Brasil na Austrália, da Associação Brasileira de Estilistas (Abest) e da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit); e coordenação da Euromonitor, empresa de inteligência de negócios e análise estratégica sobre o mercado de bens de consumo e serviços. “O mercado australiano de moda praia é maduro, tem quem compre os produtos, especialmente em lojas físicas de varejo, e há muitas oportunidades para as empresas brasileiras nesse segmento”, aposta o analista de Gestão e Negócios da Apex-Brasil Guilherme Nacif.

Enquanto isso, a Austrália importa, também, da Indonésia, Camboja, Vietnã e Bangladesh. Ou seja, basicamente de seus vizinhos asiáticos (96% do total). E consegue exportar para a Nova Zelândia e os Estados Unidos, que, juntos, representam 58% das vendas externas. Nesse contexto, o alto custo da mão de obra e as regulamentações rigorosas de fabricação realocaram as fábricas das maiores marcas locais para o exterior.  “Há uma competição, mas as empresas brasileiras podem obter sucesso com a apresentação de produtos premium, design moderno e com o uso de mídias eletrônicas (e-commerce), as que mais crescem, além do varejo físico”, aposta Nacif.

As oportunidades, segundo o estudo, ocorrem, principalmente, nos quesitos trajes de banho feminino e cangas ou saídas de banho. Em relação aos trajes femininos – responsáveis por 64% das vendas em 2016 – os consumidores australianos exigem design moderno, opções de cores, boas impressões e estilo. As banhistas apreciam laços marcantes, recortes, partes de baixo ousadas, maiôs de ombro único e blusas de amarração. As empresas brasileiras também devem buscar as áreas que têm clima tropical a maior parte do ano, como Queensland e Nova Gales do Sul. Além disso, devem fazer parceria com agentes de moda e usar bastante as mídias sociais. O problema para os fabricantes brasileiros são os custos da distância entre a Austrália e o Brasil, embora a presença física seja fundamental para o sucesso nesse mercado.

Já em relação às cangas e saídas de banho, comuns na cultura de praia em ambos os países, os australianos valorizam a diversidade de cores e a identidade brasileiras. Ou seja, o que consideram “exotismo”. “Em relação aos trajes de banho masculinos, o mercado australiano tem pouca oferta de produtos premium. Eles não usam sunga, preferem calções e bermudas”, afirma Guilherme Nacif. De acordo com o estudo, os preços finais dos produtos premium masculinos, no caso dos trajes adequados para surfe, se situam entre US$ 65 e US$ 120. A demanda maior é de bermudas masculinas de surfe, cujo preço final é entre US$ 15 e US$ 35. A diferença entre a modelagem dos corpos dos homens brasileiros e australianos pode exigir mudança no design dos produtos.

Segundo o estudo, as empresas brasileiras poderiam aumentar o portfólio, incluindo peças únicas, e utilizar de maneira inteligente as mídias sociais que influenciam os jovens australianos, especialmente o Instagram. Os australianos também têm uma preocupação com o câncer de pele e outros efeitos na saúde decorrentes do sol. Várias empresas capturaram esse nicho de mercado e lançaram trajes de banho com proteção solar de FPS 50+, por exemplo, para proteger os banhistas da segunda maior ilha do mundo.

Saiba mais:

Baixe o estudo completo “Austrália: Mercado de Moda Praia 2018”  

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