Fazem parte do cotidiano de empreendedores e investidores do universo das startups termos como bootstrapping, pivotar, meetup, aceleradora e investidor-anjo. Esses jargões foram usados pela primeira vez por Daniel Avizú em um evento na Rua Augusta, em São Paulo. Na ocasião havia empreendedores, investidores e imprensa. Daniel os abordava, apresentava seu projeto e deixava o cartão de visitas com detalhes do software criado, sem sucesso.

Mas foi com um gesto rápido, ousado e criativo que o empresário deu o primeiro passo para criar sua empresa, especializada em monitoramento e análise de comportamento e que representa muito bem dois atributos enfatizados pela campanha #BeBrasil, da Apex-Brasil: inovação e a criatividade.

Cansado de abordagens convencionais, Daniel tentou sua última estratégia. Ficou no hall de saída, observando. No momento em que um investidor com quem ainda não havia conversado entrasse no elevador, ele entraria junto. E assim fez. Elevador cheio, vários empreendedores e um foco, abordar um investidor. Com papo de vendedor de trem, como ele mesmo diz, em tradução literal “elevator pitch” (outra expressão do universo das startups), iniciou seu discurso: “Eu poderia estar roubando, eu podia estar matando, mas eu tenho uma startup que precisa de investimento”, declarou. Cassino Spina, investidor-anjo, mordeu a isca e pediu um cartão para Daniel.

Nesse ambiente de startups, muitos projetos começam assim: arriscando e acreditando que o inusitado pode fazer diferença. Pois em 2011, no tempo de subir três andares de um edifício de São Paulo, Daniel conseguiu a primeira captação de recursos para a Zoemob, que nasceu da percepção de uma demanda e de uma conversa em uma mesa de bar.

O resultado da lição de casa

Quando Daniel ainda trabalhava em uma empresa que atendia varejistas e cuidava das demandas da área de tecnologia, sua maior preocupação era a dificuldade de monitorar os funcionários que iam a campo. “Um dia pensei que se pudéssemos localizá-los, saberíamos se estão chegando na ordem de serviço que eles realmente teriam que atender, e fiquei com isso na cabeça”. Foi então que Daniel teve a brilhante ideia de criar o protótipo do software que desejava ver no mercado. E, com ajuda do seu amigo Hélio Freitas, criou a Zoemob.

Os três primeiros meses foram de muita dedicação, lembra Daniel. “Fizemos a lição de casa bem feita, conhecemos o mercado, estruturamos os principais pontos do plano de negócio”. O software foi ao ar em 21 de abril de 2010 e em janeiro do ano seguinte já tinha 10 mil usuários. O negócio cresceu muito, mas ainda não gerava receita suficiente para que os sócios pudessem viver disso, foi então que resolverem buscar captação.

Em 1º de abril de 2011 os dois sócios passaram a se dedicar full time à startup. “O momento em que você deixa seu emprego e passa realmente a se dedicar 100% ao seu negócio, é algo inesquecível. Por mais que você se prepare ou imagine como será, sempre há um ‘quê’ que a gente não consegue descrever bem. Tem euforia e preocupação ao mesmo tempo. É como se sua vida estivesse começando novamente”.

Os sócios decidiram que o valor principal da companhia seria entender o comportamento das pessoas na vida real. Foi então que a empresa passou do monitoramento de serviços para o monitoramento das famílias. O aplicativo da Zoemob é usado para acompanhar os membros da família, por meio de dados coletados no GPS do celular. Assim é possível rastrear alguém 24 horas por dia. Daniel e Hélio gostam de usar o termo “proteção familiar online”.

O avesso que deu certo

“Começamos do avesso, porque santo de casa não faz milagre”, fala Daniel, rindo. “O primeiro lugar em que estouramos foi na Coreia do Sul, tanto que foi nosso segundo idioma, com o detalhe de que ninguém aqui fala coreano”, explica. A escolha foi feita porque, estudando os mercados, perceberam que do outro lado do mundo havia uma busca ávida por serviços de telefonia móvel. A investida bem sucedida na Ásia foi o primeiro passo para a conquista do mundo. E, em uma volta rápida ao mundo, chegaram aos Estados Unidos. Atualmente, 35% dos usuários estão nos EUA e somente 3% no Brasil. Hoje os serviços da Zoemob já estão em mais de 180 países.

Em 2013, foram ao Vale do Silício, na Califórnia, Estados Unidos, para captar recursos. O próximo passo era estruturar uma operação em São Francisco, para atender melhor às necessidades dos maiores mercados fora do Brasil. Também estava nos planos abrir a plataforma do software para que outros programadores desenvolvam produtos correlatos. “Temos o DNA do brasileiro e sabemos que se hoje tem dinheiro no mercado, amanhã pode não ter. Crescemos com um pouco de pé no chão nesse sentido. O olho está sempre na receita, no resultado, na austeridade: fazemos o dinheiro render um pouco mais”, afirma. O foco é o produto, a engenharia, e agora pretendem dar um pouco mais de atenção ao design.

A receita do sucesso

O resumo, feito por Daniel, é esse: “Lançamos nosso produto em 2010, conseguimos o primeiro investimento em 2011, nosso primeiro milhão de usuários em 2012, ganhamos notoriedade internacional em 2013. Em 2014, estamos cada vez mais nos internacionalizando, tanto para captação de investimentos quanto para montar operação fora do Brasil”. E o foco é sempre prosperar: “Nos próximos anos, queremos crescer, crescer e crescer. Afinal, é isso que determina se uma startup é um sucesso ou não. Claro, crescer com qualidade, tornando a experiência do usuário cada vez melhor”.

Texto originalmente publicado em 19 de maio de 2014

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