Embalada pelo vozeirão de Frank Sinatra na clássica canção New York, New York (“Start spreading the News/ I'm leaving today/ I want to be a part of it/ New York, New York”), a “Cidade que nunca dorme” embala, historicamente, aqueles que batalham para viver o chamado “sonho americano”. Gente como a criativa empreendedora Natália Miti, 29 anos, que desembarcou na cidade durante 25 dias para apresentar ao mundo – no caso, grandes compradores internacionais – a sua marca de calçados, a brasiliense Miti Shoes.

E foi justamente esse ambiente – Nova Iorque, calçados brasileiros, sonhos de empreendimento – que marcou, entre os dias 3 e 28 de fevereiro, a participação da Miti Shoes, na New York Fashion Week, a semana de moda nova-iorquina. Criados e produzidos por Natália Miti, os sapatos, botas e tênis fabricados em diferentes regiões do território brasileiro fizeram sucesso no showroom Seven, localizado bem no coração de Manhattan, uma das regiões mais nobres da metrópole norte-americana. De lá, ganharam as ruas de NYC e até geraram negócios, vejam só.

Natália apresentou seus calçados ao lado de outras 26 marcas de todo o mundo, graças, em grande parte, ao apoio da Apex-Brasil. A criadora e proprietária da marca, aliás, adquiriu experiência ao participar, em 2015, do Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), desenvolvido pela Agência. Formada em Design de Produtos na Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), ela começou a fazer sapatos no último ano do curso, na faculdade. Durante os tempos de estudo, criou calçados para outras marcas, mas, assim que concluiu a graduação, lançou a Miti Shoes ou, simplesmente Miti. Isso há exatos seis anos, tempo suficiente para a marca nascer, ganhar as ruas de Brasília e chegar às ruas de Nova York.

E é essa história que Natália não cansa de contar. De como um pequeno sonho virou realidade, com potencial para alçar novos voos. Uma alegria para a jovem criadora e empresária que desenha e fabrica as próprias peças com empresas parceiras e que agradece o apoio da Apex-Brasil. “É importante ter uma entidade que apoia o setor, que faz isso com excelência. A Agência me orientou, nos Estados Unidos, com relação à expectativa do evento e à precificação dos produtos, por exemplo. E, além da ajuda financeira, também tive apoio técnico”, conta, ainda empolgada com seu sonho brasileiro na “Cidade que nunca dorme”. Confira a entrevista ao Blog da Apex-Brasil:

 

Como você avalia o crescimento da Miti Shoes?

Nós mudamos de formato várias vezes desde 2012. O mercado era outro, na época. Comecei vendendo pelo Facebook. Era uma ferramenta muito boa de vendas. Hoje, eu não diria se é a melhor plataforma, acredito mais no Instagram. Em 2013, comecei a fazer eventos físicos todo mês. Um dia por mês eu alugava um espaço e vendia os meus produtos, era a melhor venda que eu fazia no mês. Em 2014, aluguei uma sala no Bairro Sudoeste, em Brasília. Foi ótimo, pois consegui uma venda física mais consistente e resolvi abrir uma loja de rua, em 2015, na Asa Sul (bairro central de Brasília).

E como foi sua primeira experiência com uma loja de rua?

Para ser sincera, hoje eu abriria a Miti Shoes em outra quadra. A 206 Sul tem um bom público feminino, mas um pouco mais idoso e tradicional. E meus produtos são mais conceituais que tradicionais. A média de preço de um produto da Miti Shoes, por exemplo, é R$ 250. A loja fechava cedo e havia dificuldade para os clientes estacionarem os carros. Além disso, eu pagava um aluguel muito alto.

E o que você aprendeu?

Foi um período em que aprendi muito e não lucrei nada. A partir dessa experiência, decidimos não ter mais loja física. Em 2017 voltamos exclusivamente nosso negócio para o online, pelo site. E passamos a utilizar o Miti Casa, que é o meu melhor canal de venda.

Como você define a participação na Semana de Moda de Nova Iorque?

Foi uma ótima experiencia expor minhas peças na cidade. Foi uma coisa transformadora. O showroom durou um mês e ficou instalado a duas quadras da Times Square, o coração da cidade. Foi muito bom apresentar meus calçados ao lado de outras duas marcas. Especialmente porque grandes compradores, como Macy's e Sacks Fifth Avenue, visitaram o local. Até fechei alguns negócios.

Quais os principais produtos da Miti Shoes?

Temos o tênis, que é fabricado em Minas Gerais; a bota, fabricada no Rio Grande do Sul; e o sapato Oxford, cuja fábrica fica em São Paulo. O que a gente vende melhor são os Oxford, tipo de sapato fechado, quase masculino. Já o Beatrice é um tênis branco de couro, com sola de borracha e com cadarço. Temos, ainda, o Oxford Lizzie. Os nomes dependem da coleção. A coleção atual tem nome de mulher. Lanço 20 modelos por coleção e duas coleções por ano. Cada modelo em duas ou três cores, com material majoritariamente em couro, com o uso de tecidos e fibras naturais, além de verniz sintético.

Como é o processo de produção?

Começo o desenvolvimento da coleção com uma pesquisa de cores, materiais e forma que estão na moda. Quando tenho tudo isso, amarro essas informações para fechar a coleção, com nomes, fotos e catálogos. Optamos por produzir os nossos calçados nos polos de (São Paulo) e Novo Hamburgo (Rio Grande do Sul). Cada fábrica produz aquilo que é a sua especialidade, otimizando os recursos e o tempo de produção. As fábricas utilizam matéria-prima da região onde estão inseridas e isso fortalece toda a cadeia produtiva.

Além do e-commerce, a Miti Shoes tem outra forma de venda ao consumidor?

Temos o Miti em Casa, que é um serviço prático, fácil e transparente. O cliente escolhe os pares de sapatos que deseja experimentar e um funcionário da loja leva até ele. Primeiro, a pessoa deve acessar o menu Miti em Casa no nosso site. Depois, pode escolher até 12 pares para experimentar. Para isso, precisa agendar o dia e horário que deseja receber os pares. Após o recebimento dos sapatos a pessoa tem até 48 horas para pedir à empresa para recolher os demais pares. Assim que os pares devolvidos chegam ao nosso Centro de Distribuição eles serão conferidos e será gerada uma cobrança via e-mail relacionada aos pares que ficaram com o cliente. Pronto, a cobrança pode ser paga via boleto ou cartão de crédito em até seis vezes, com parcelas mínimas de R$ 50,00.

Qual a importância da Oficina do Programa de Qualificação para a Exportação (PEIEX) no crescimento da empresa?

A oficina do PEIEX foi muito boa. Na verdade, foi minha primeira experiência na área de exportação. Foi quando eu decidi que queria estar preparada para exportar quando a oportunidade surgisse. Trabalhamos com exportação há três anos, praticamente, e quando surgiu essa oportunidade para apresentar meus produtos em Nova Iorque, não pensei duas vezes. Com a oficina do PEIEX, aprendi várias ferramentas de estudo do mercado que uso até hoje, como o Portal do Siscomex, do MDIC, que te dão um norte para exportar, qual o tipo de produto que tal país compra ou exporta. Por exemplo, os Estados Unidos compram diferente da Europa ou do mundo árabe, no meu setor. Outra coisa importante também que aprendi na oficina do PEIEX foram os trâmites burocráticos necessários para a exportação. Lembro que fizemos até uma espécie de jogo passando por todas as etapas do processo até chegar à exportação.

E como você define a parceria com a Apex-Brasil?

A parceria com a Apex-Brasil é superlegal. No evento de Nova Iorque, eu pedi e recebi apoio da Agência. É importante ter uma entidade que nos dá apoio, que ajuda a fomentar a cadeia como um todo. E é ainda mais importante ter uma entidade que ajuda o setor, que faz isso com excelência. A Apex-Brasil me orientou muito com relação à expectativa do evento, em relação à precificação dos produtos. Além da ajuda financeira, também recebi ajuda técnica.

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