Precisão é tudo. No agronegócio, não é diferente: quanto mais informação sobre uma plantação, maiores as chances de a produtividade aumentar. E menor também é o desperdício no uso de fertilizantes e defensivos agrícolas. Esse mapeamento completo das terras cultivadas feito com a ajuda de drones é um dos carros-chefes da Sky Drones, fundada em Porto Alegre em 2010.  

Segundo Daniel Bandeira, chefe de finanças da empresa, as soluções oferecidas pela Sky Drones visam tirar a carga gerencial de cima do agricultor. “O produtor tem quinze mil coisas para se preocupar. Eu entrego para ele tudo pronto e digo ‘este aqui é o mapa da tua plantação com tudo georeferenciado para fazer qualquer tipo de correção’. E damos a prescrição do que ele tem que fazer para corrigir um eventual problema”, conta.

Expansão internacional

A empresa já vendeu soluções para o Uruguai e Paraguai e agora está em busca de investimentos que possibilitem uma expansão internacional para outras fronteiras. Por isso, a participação da Sky Drones na quarta edição do Corporate Venture in Brasil, realizada em São Paulo no começo de outubro, foi de extrema importância. “Tivemos conversas bem promissoras com um fundo de investimentos do Chile”, conta Daniel, em entrevista ao Blog da Apex-Brasil.

Leia a íntegra da conversa:

Como surgiu a Sky Drones?

A Sky Drones foi fundada em 2010, em Porto Alegre. Um dos meus sócios é alemão e já trabalhava com essa tecnologia em 2008, quando surgiram os primeiros drones na Alemanha. Por isso, já tínhamos uma vasta experiência nessa tecnologia. O mercado em geral começou a amadurecer mesmo nos últimos dois ou três anos.

E qual é o negócio principal da empresa?

A gente começou com fabricação de drones, mas o que percebemos nos últimos anos é que o mercado está muito mais focado em resultados do que em equipamentos. Então, tivemos uma mudança no modelo de negócios e passamos a oferecer soluções com o uso de aeronaves não-tripuladas. Em resumo: entregamos informações para as empresas com o uso de drones.

Como essas informações podem ser aproveitadas?

Por exemplo, na agricultura. Hoje muitos agricultores operam de maneira cega: aplicam fertilizantes e defensivos, mas acabam desperdiçando muito desse material porque não têm um mapa detalhado da sua área.  Então, o nosso foco é entregar uma informação mais precisa da lavoura dele, e assim possibilitar que ele tome uma decisão muito mais assertiva. Com isso, aumenta a produtividade, porque ele vai saber com certeza onde aplicar a mais ou a menos numa certa área. E consequentemente isso reduz o custo também, porque só fará aplicações pontuais em áreas em que realmente existe necessidade, diminuindo o desperdício de produto.

A Sky Drones então entrega todo esse relatório?

Entregamos a prescrição, o resultado final. Você tem que tirar a carga gerencial de cima do agricultor, que já tem hoje quinze mil outras coisas para se preocupar. Ele não tem que se preocupar em fazer voar um drone e processar imagem. Eu chego para ele e digo o seguinte: “tá aqui o mapa da tua plantação. Nesses locas aqui tem problema. Está tudo georeferenciado”. E aí ele pode fazer a correção com a prescrição que entregamos.

O foco da Sky Drones é somente em agronegócio?

A gente separou a Sky Drones em duas empresas, justamente para não dar conflito. A Sky Drones é a empresa mãe. A Sky Agri é a empresa de serviços em agro. Está bem focada nessa parte de prestar serviços e informações para agricultores. Fica mais fácil para os investidores e para os clientes entenderem o negócio da empresa. Mas temos também outra empresa, focada em área industrial, na parte de utilitários, mineração e óleo e gás. Tudo voltado à parte de inspeção industrial.

Vocês já vendem para fora do Brasil?

Já fizemos vendas para Uruguai e Paraguai. Mas estamos buscando um parceiro para crescer, porque não conseguimos ainda atender o tamanho do nosso mercado nacional. Precisamos  escalar essa tecnologia para atender ao mercado nacional e ao internacional.

Tem algum mercado fora do Brasil que você vê como potencial?

Todo o Cone Sul (Argentina, Uruguai, Paraguai e oeste Mato Grosso) é um mercado altamente potencial para a gente. Também temos algum trabalho com plantações de uva, então o Chile também se torna interessante pelos vinhedos. No momento em que isso se expandir no Brasil, a ideia é crescer também por meio de franquias e licenciamentos para que possamos replicar esse modelo com facilidade. Não queremos focar no drone produto, mas no processo que é feito pelo drone e na entrega das prescrições.

Como você avalia a participação no Corporate Venture in Brasil?

Eu fiz uma apresentação do meu negócio para investidores. Nossa tecnologia está madura e já testamos uma prova de conceito. O resultado que estou vendo aqui no Corporate Venture me parece muito promissor. Já tive uma conversa particular bastante interessante com um fundo de investimentos do Chile interessado nessa parte de agricultura.

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