sexta-feira, 04/08/2017
MPEs TIPO EXPORTAÇÃO: MAIS INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE

Exportar não é mais um sonho distante para as 30 micro e pequenas empresas que terminaram o segundo ciclo do projeto ICV Global, fruto de uma parceria entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e o Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces) da Fundação Getulio Vargas (FGV). Foi um ano e meio de muito esforço, com oficinas de capacitação ministradas em diferentes estados do Brasil para que as empresas ganhassem competitividade e ficassem prontas para os desafios do mercado internacional. Todas as selecionadas possuem inovação e sustentabilidade em seu DNA. Maturidade exportadora, atributos do produto, comportamento empresarial, argumentos de venda e networking são alguns dos pontos trabalhados durante o projeto, que funciona como um programa de aceleração. 

“Perdi completamente o medo de exportar. Antes eu achava que isso era só coisa de empresa grande, que não era para mim”, conta Oto Barreto, dono da Sanhaçu, uma cachaçaria de Pernambuco, cuja produção orgânica é totalmente movida a energia solar. “Mas descobri há muito mercado para a minha bebida lá fora. Essa semana estou enviando a primeira remessa de exportação para a Áustria. Tem quem valorize um produto como o meu, de qualidade e sustentável”, comemora.

O gerente de Exportação da Apex-Brasil, Christiano Braga, lembrou durante o evento de encerramento do ciclo, em São Paulo, na última quinta-feira (3/8), que o projeto começou com apenas 10 empresas. “Vejo esse segundo ciclo como uma evolução do trabalho que começamos aliando inovação, sustentabilidade e micro e pequenas empresas. Os empreendedores precisam saber que há mercado lá fora, mas para quem está preparado”, afirmou.

O vice-coordenador do GVces, Paulo Branco, conduziu duas rodas de conversa com as empresas durante o evento e destacou a importância de olhar para dentro da empresa e pensar em como ajustar os produtos para que eles possam ganhar outros mercados. “A gestão empresarial é fundamental para que a empresa consiga desenhar uma estratégia de longo prazo. Isso, muitas vezes, requer grandes transformações e o empresário precisa estar preparado para implementá-las se quiser chegar lá”, declarou. 

Durante o projeto, as empresas estiveram em dois mercados importantes: Colômbia e Estados Unidos. Para Mônica Souza, sócia da Sigo Homeopatia Veterinária, conhecer pessoalmente o mercado fez toda a diferença. “Eu imaginava que a nossa linha para animais de grande porte poderia ter muita saída na Colômbia. Mas, após ir até lá, constatei que na realidade podemos sim vender para lá, mas o que terá mais chance de sucesso é a linha de animais domésticos. O mercado de pet é forte lá. Já o da pecuária não está no seu melhor momento. É muito diferente daqui porque a predominância na Colômbia é de agricultores familiares, que não têm os mesmos problemas de um grande pecuarista”, explicou.

Como a empresa de Mônica, há várias outras que participaram do segundo ciclo e, no próximo dia 30 de agosto, vão se encontrar com compradores internacionais e comercias exportadoras para apresentar seus produtos. A Apex-Brasil está organizando a rodada de negócios e países como China, Nigéria, África do Sul, Peru e Colômbia já demonstraram interesse nos produtos desenvolvidos pelas empresas que participaram do ICV Global. 

CADEIAS DE VALOR
Duas grandes empresas brasileiras, a Vicunha e a Duratex também participaram do projeto como âncoras de suas cadeias de valor - que engloba todos os parceiros e fornecedores da grande companhia. No total, 20 empresas ligadas a essas grandes participaram de oficinas sobre sustentabilidade e inovação. O objetivo é mostrar como esses dois atributos podem ser bons aliados na hora de fechar negócios.

Para saber mais sobre o projeto ICV Global, leia a publicação que foi preparada contando a história do projeto e das empresas participantes aqui.